|
|
Segunda-feira, Setembro 29, 2008
MACHADO DE ASSIS, QUEM DIRIA, ESTÁ MELHOR DO QUE NUNCA!
Cem anos da morte do bruxo de Cosme Velho. Cem anos! E jovem, ainda, com suas barbas brancas, seu ar imponente, seu monóculo.
Machado de Assis: um escritor pop!
Nem tudo são flores, entretanto, nessa comemoração que, aliás, tem sido bem ruidosa, na sua velha Academia, na mídia especializada, entre críticos mais afoitos. Têm-lhe atribuído tantas qualidades e tantas estranhas idiossincrasias, que o bruxo deve estar-se a revirar no túmulo. De rir.
Temos de admitir: Machado é, senão o maior, um dos nossos maiores escritores de todos os tempos. Mas, calma aí, pessoal: não é preciso enfeitar o rabo do pavão. Ele já é grande por si mesmo, sem necessidade de tantos estudos ditos profundos, que mais confundem do que aclaram a personalidade e os hábitos de homem comum com uma inteligência privilegiada.
Porque comum foi o bruxo, em sua vida, em seus empregos, em seu casamento. Até mesmo em sua reclusão, após a morte da esposa. Machado: um homem comum? Sim, apesar de gênio. Deixemo-lo em paz, assim. E leiamos, leiamos muito o velho bruxo. Ele tem muito a nos ensinar, não os críticos e pretensos estudiosos de sua vida ou pretensos explicadores de sua obra.
Que importa se Capitu traiu ou não o Bentinho? Que importa? Não, nenhuma explicação será mais intensa, mais visceral, que ler e reler Machado. Sem psicologismos, sem filosofias, sem sociologias, sem explicações complexas e análises acadêmicas.
Leiamos. Leiamos muito Machado de Assis. E ponto.
P.S.: O pequeno conto abaixo sintetiza o que Machado deve estar pensando de tantos que usam, hoje, a sua obra como forma de aparecer na mídia falando dele.
Um Apólogo
Machado de Assis
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:23 PM
Domingo, Setembro 07, 2008
DIREITA, VOLVER!
O mundo da direita fundamentalista, de qualquer credo ou filosofia política, é muito bem ordenado. E fácil de nele viver. Principalmente para os espertos e os preguiçosos mentais.
As regras, absolutas e diretas, não permitem o meio termo, o pensamento crítico ou qualquer vacilo.
Aborto é crime. Ponto. Sexo fora do casamento: proibido. Ponto. Dentro, também, às vezes. Roubou? Cortem-lhe as mãos. Apedrejem-se todas as adúlteras. E ponto final. Não há dúvidas. Não há remorsos. Deus é fiel. Ou o senhor de todas as vidas e todos os atos. E nada há além dele.
Por isso, é fácil viver no universo fundamentalista: basta seguir as regras. E dane-se qualquer sinal de humanidade ou compaixão. Pensar, só no deus absoluto. Fácil, muito fácil para quem tem preguiça de pensar ou é muito estúpido para isso. Fácil, muito fácil, para os espertalhões que alcançam os postos máximos da hierarquia (porque a sociedade fundamentalista tem de ser severamente hierarquizada). E os príncipes, os reis, os sumos sacerdotes, os pastores, os rabinos, os bispos ou quaisquer nomes que se lhe dêem, esses são os que podem tudo, inclusive dar uma banana para as regras e as leis. Obedeçam ao que eu digo, não façam o que eu faço.
Quando assumem o poder, os direitistas fundamentalistas (não importa o credo, não importa a corrente política) podem ser, muitas vezes, competentes. Muito competentes. Cumprem com razoável persistência uma agenda social e econômica de progresso, de busca de bem-estar dos cidadãos. Alardeiam, até mesmo, programas sociais e construções de hospitais para os pobres.
Mas, não se iludam: os direitistas fundamentalistas (não importam credos e pensamentos políticos) desdenham as conquistas sociais. Nada querem para o povo, a não ser sua alma. Afinal, os pobres herdarão o reino de deus, não? Então, tudo o que fazem tem um só objetivo: escravizar as mentes, embrutecer o pensamento, até que a obediência total se instale num pensamento único. Para salvar sua alma, meu caro, para salvar sua alma!
Para isso, proíbem. Para isso, ordenam o mundo. Estabelecem regras para tudo: há o momento certo para rezar e o momento certo para fazer as refeições. Pode-se comer tal ou qual alimento, não esse ou aquele. Cada um tem seu papel claramente definido na hierarquia, que atinge as menores decisões do dia a dia. Nada escapa à regulação. Com isso, quebra-se qualquer sinal de criatividade, de liberdade, de crítica. Robotiza-se a vida.
E os direitistas fundamentalistas (não importam muito suas crenças ou idéias políticas, são no fundo sempre as mesmas) podem aparecer travestidos de pit-bulls de batom ou de penitentes e humildes seguidores da Opus Dei. Ou como afáveis e preclaros alcaides em busca de reeleição. E seus atos não têm nunca qualquer resquício de humanidade ou de ingenuidade. Para que seus fins sejam alcançados (sempre no reino de um deus onipresente, onipotente, onisciente) vale tanto ordenar a invasão do Iraque quanto proibir que as mulheres usem calças compridas.
Por isso, não há desculpa para elegê-los, para defendê-los, para bajulá-los, para segui-los: em toda e qualquer circunstância, fugir dos fundamentalistas direitistas (mesmo os que mais inocência aparentam) significa preservar a liberdade. A liberdade de pensar, a liberdade de viver.
Obs.: Permitida e, até, incentivada a divulgação, desde que citados o autor e, pelo menos, o blog Veneno de Cobra.
E, agora, os nossos comerciais:
LUA QUEBRADA
Um romance entre o professor e sua aluna. Banal? Não o jogo de sedução e erotismo de Lua Quebrada. Além de todas as convenções, do alto grau de entrega e do encontro de dois mundos tão diversos, há um sutil jogo de poder entre os protagonistas que põe em cheque a relação entre homem e mulher, entre tesão e amor e, principalmente, entre a razão das convenções sociais e o desafio de quebrá-las em nome de um sentimento ao mesmo tempo tão irracional e tão humano quanto a velha e boa paixão.
Autor: Isaias Edson Sidney
Publicação da Biblioteca24x7.
ISBN: 978-85-61590-45-1
Só disponível pela Internet, no endereço abaixo:
http://www.biblioteca24x7.com.br (ÁREA, à esquerda, clique em : ERÓTICO).
LUA QUEBRADA: PARA INCENDIAR SUA IMAGINAÇÃO!
MEUS BLOGS:
Veneno de cobra:
http://www.venenodecobra2003.blogger.com.br
Blog do macaco:
http://blogdomacaco.blog.uol.com.br/
Futebol é vida:
http://www.futebolevida.blogger.com.br/index.html
Lua Quebrada:
http://luaquebrada24x7.blogspot.com/
Atenção! O Ministério da Verdade recomenda:
NÃO ASSINE, NÃO COMPRE, NÃO LEIA, NÃO VEJA!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:37 PM
Terça-feira, Setembro 02, 2008
NO SAL, A SALVAÇÃO DAS ÁGUAS
Tenho, sempre que posso, defendido a despoluição de nossos rios, de nossas águas. Quase um grito desesperado contra sujar as águas que correm com merda, produtos químicos, lixo de toda espécie.
Em São Paulo, por exemplo, o rio morto Tietê mal corre entre suas margens, um rio denso, pegajoso, lento e pesado de décadas de poluição. As margens da represa Bilings, que abastece a maior cidade do País, foram ocupadas por milhares de famílias, graças ao trabalho de grilagem de gente muito desonesta, muito sacana, sob os olhos complacentes de Governadores, Prefeitos, Ministério Público e o escambau. Talvez umas cinco mil pessoas a jogar merda e lixo na represa, comprometendo o futuro de milhões.
No Brasil inteiro, o descaso com as águas que correm é obra da obtusidade de prefeitos que não investem em saneamento básico. Do povo mal preparado para entender a importância da preservação do presente para a continuidade do futuro.
Sanear é enterrar votos, dizem os imbecis.
O aqüífero guarani, um tesouro imensurável de águas límpidas do subsolo de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, talvez uma das maiores reservas do mundo, tem suas fontes poluídas com agrotóxicos e com a exploração predatória de poços artesianos.
O velho Chico, em Minas, tem grande parte de suas margens assoreadas impunemente pela estupidez humana. A atividade mineradora joga nas águas correntes em todo o canto metais pesados em troca de meia dúzia de diamantes ou de poucos gramas de ouro.
Água. Sem ela, não há Terra, não há vida, não há homem. E nós a emporcalhamos com nossa paquidérmica estupidez.
Podemos sobreviver sem ouro, sem pedras preciosas, sem petróleo e, provavelmente, até sem energia. Mas, sem água, o planeta Terra está definitivamente condenado.
Petróleo. Nesses tempos de preços astronômicos, o Brasil encontra no oceano, nas camadas profundas do pré-sal, um tesouro incalculável de energia. O que fazer? De quem é essa riqueza? Em que investir a formidável quantia de dinheiro que virá da exploração desse óleo?
Podem complicar, podem divergir, podem espernear, podem, até mesmo, falar bobagens na imprensa, como têm falado tantos especialistas, técnicos, políticos, jornalistas e toda essa cambada que surge a dar palpites cada vez que um tema de repercussão estoura na mídia, que a resposta é uma só: todo esse tesouro é do povo brasileiro. Ponto.
E mais: se tivesse que escolher um único investimento para toda essa fortuna, escolheria... a ÁGUA.
Obs.: Permitida e, até, incentivada a divulgação, desde que citados o autor e, pelo menos, o blog Veneno de Cobra.
E, agora, os nossos comerciais:
LUA QUEBRADA
Um romance entre o professor e sua aluna. Banal? Não o jogo de sedução e erotismo de Lua Quebrada. Além de todas as convenções, do alto grau de entrega e do encontro de dois mundos tão diversos, há um sutil jogo de poder entre os protagonistas que põe em cheque a relação entre homem e mulher, entre tesão e amor e, principalmente, entre a razão das convenções sociais e o desafio de quebrá-las em nome de um sentimento ao mesmo tempo tão irracional e tão humano quanto a velha e boa paixão.
Autor: Isaias Edson Sidney
Publicação da Biblioteca24x7.
ISBN: 978-85-61590-45-1
Só disponível pela Internet, no endereço abaixo:
http://www.biblioteca24x7.com.br (ÁREA, à esquerda, clique em : ERÓTICO).
LUA QUEBRADA: PARA INCENDIAR SUA IMAGINAÇÃO!
Atenção! O Ministério da Verdade recomenda:
NÃO ASSINE, NÃO COMPRE, NÃO LEIA, NÃO VEJA!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:35 PM
|
 |